quarta-feira, 27 de abril de 2011

ELLEN G. WHITE E O USO DA BATERIA NA ADORAÇÃO

NOTA DE ESCLARECIMENTO AO ARTIGO: ERA ELLEN G. WHITE CONTRA A BATERIA NA MÚSICA SACRA?
Primeiramente, gostaríamos de agradecer as reações e opiniões expressas quanto à inserção da réplica ao artigo do André Reis no site do Centro White. É necessário deixar bem claro que em nenhum momento o Centro White - Brasil quis expor uma posição oficial sobre o uso da bateria por meio dessa réplica. Cremos que o documento votado pela Associação Geral da IASD em 13 de outubro de 2004, intitulado “Filosofia Adventista do Sétimo Dia com Relação à Música” é de fato o grande referencial norteador no que tange a aplicação dos instrumentos na Música Sacra dentro da IASD.

Nossa intenção foi apenas apresentar uma resposta que pudesse trazer aos leitores do artigo do André Reis uma concepção mais apurada quanto àquilo que o Espírito de Profecia apresenta sobre o uso da percussão (bateria), a qual nem existia nos dias em que Ellen G. White viveu. É necessário notar que este instrumento foi inventado ou (criado) com propósitos muito específicos no final da década de 1950 início de 1960 com o advento da música rock e seus derivados. No original da língua inglesa a palavra é "drummset", ou seja, um conjunto de elementos percussivos que estão dispostos de forma condensada (ocupando um espaço pequeno) com a finalidade específica de ser tocado ritimadamente e muitas vezes de forma repetitiva.

Ellen G. White não escreveu nada sobre a aplicação deste instrumento, no entanto, deixou princípios que deveriam pautar a música sacra na adoração ao Único e Verdadeiro Deus. O documento votado em outubro de 2004 pela Associação Geral (www.centrowhite.org.br/textos.pdf/10/Filosofia_Adventista_Sobre_a_Musica.pdf) e o livro de Euridice Ostermann - O que Deus diz sobre a música (UNASPRESS) mostram de forma clara a aplicação desses princípios.

De fato, o artigo publicado pelo André Reis foi divulgado pela primeira vez na internet em 2009, ou seja, há dois anos este material tem migrado pelos computadores daqueles que têm tido acesso a este conteúdo. É estranho observar que uma resposta discordante àquela postulada neste artigo seja objeto de tanta discussão. Pergunto: Porque toda vez que se fala no uso da bateria na música sacra da IASD há divergências e conflito de opiniões?? Particularmente, isso me entristece muito, pois creio que este deveria ser um momento estratégico para podermos abrir um diálogo puro, franco e cristão desarmado de todo e qualquer preconceito, sobre o assunto em pauta. A IASD Mundial tem enfatizado tanto os temas do Reavivamento e Reforma com vistas ao derramamento do Espírito Santo por meio da Chuva Serôdia a fim de que sejamos qualificados e capacitados para pregarmos a última mensagem de salvação a um mundo a perecer (O ALTO CLAMOR).

Conforme os conteúdos dos livros de Atos na Bíblia e Atos dos Apóstolos de Ellen G. White, encontramos um apelo claro para uma unidade de espírito, pensamento, propósitos e ideais. Atos 2:44 diz "Todos estavam juntos e tinham tudo em comum". Isso só foi possível porque abandonaram suas divergências, seu ego e passaram a colocar a vontade de Jesus como sendo a primazia de sua vida. Não seria este um momento para podermos refletir um pouco mais sobre esse assunto que vem produzindo divergentes opiniões entre os membros de nossa Igreja? Imagine se uma das 28 doutrinas de nossa Igreja fosse objeto de interpretação pessoal ou mesmo passiva da visão cultural de cada região do planeta, o que aconteceria com a unidade da Igreja? Com certeza, em pouco tempo ela se fragmentaria, perdendo assim toda a sua força e poder para irradiar a luz do Evangelho ao mundo.

Sendo assim, peço que vocês reflitam sobre o conteúdo supracitado (caso desejem pesquisar) e reavaliem nossa intenção ao elaborarmos o conteúdo da réplica a qual em minha opinião não pode ser encarada como um artigo "sem fundamento teológico e que diverge do pensamento expresso pelo White Estate". Na verdade, o articulista André Reis vem tentando de todas as formas defender uma ideia inexistente de que o Centro White – Brasil possui uma opinião divergente àquela sustentada pelo White Estate - EUA. Isso de fato não possui fundamento, pois o Centro White – Brasil trabalha em consonância plena e absoluta com o White Estate – EUA. Neste sentido, vale lembrar que o Pr. Renato Stencel ao ser notificado deste conflito ideológico telefonou ao Pr. Bill Fagal afim de explicitar os fatos que estão por detrás desta discussão. Ao ele tomar conhecimento do assunto se posicionou totalmente favorável aos argumentos expressos na réplica ao artigo do André Reis.

Mais uma vez o articulista tenta usar um argumento descontextualizado do Pr. Bill Fagal para justificar suas ideias com respeito ao uso da bateria no culto adventista colocando uma instituição contra a outra. Conforme ele mesmo cita o Pr. Bill Fagal em seu blog: “Com este pano de fundo, volto ao seu ponto sobre como a percussão é usada. Nos anos sessenta, quando fazia faculdade, eu tocava na banda da universidade. Chegamos a fazer algumas excursões e tocamos nos cultos de Sábado em vários lugares. Em algumas das músicas sacras que tocávamos eram utilizados o tarol, como também o bumbo, tímpanos e pratos. Se me lembro bem, havia um arranjo do hino “Ó Cristãos, Avante” por exemplo, em que o tarol ajudava a criar o apropriado ambiente de marcha. Não havia nada de irreverente ou de inapropriado nisso, em minha opinião. A música era sacra e digna. Lembro-me também de que mesmo o coro “Aleluia,” de O Messias, de Handel, usa o tímpano. Assim, em minha opinião, o problema não está na percussão, mas na maneira como ela é usada.”

Após tal afirmação podemos concluir que o Pr. Bill Fagal faz menção à percussão sinfônica e não à bateria (drummset). É notório lembrar que ambos elementos possuem papéis e funções bem diferentes um do outro. Na conclusão de sua resposta sobre o uso da bateria, o Pr. Fagal afirma que “O tipo de música hoje usada em algumas igrejas pode não ser exatamente o mesmo usado ali (Indiana), mas muitas coisas parecem ser semelhantes. Canções de dança com letra sacra, música tocada em alto volume, a busca de emoções e a influência oriunda de pensamentos teológicos estranhos aos ensinamentos adventistas são algumas coisas que vêm à mente. Além do mais, as apresentações desse tipo de música tendem a obter aplauso para o músico – como nos shows de puro entretenimento – em vez de uma apreciação para com Deus. É isso, e não o tipo de instrumentos utilizados, que me parece ser o real problema. Se resolvermos isso, não encontraremos muito tempo para discutir se a bateria é apropriada. Acho que a questão se resolve por si mesma.”
(William Fagal, "101 Questions About Ellen White And Her Writings, p. 89-91).

Com base no conteúdo acima citado gostaríamos de formular algumas indagações que julgamos importantes para reflexão e análise de todos os membros da IASD:
1-    A música que cantamos, ouvimos ou compomos, quer seja sacra ou secular, glorifica a Deus?
2-    A música que cantamos, ouvimos ou compomos se caracteriza pela qualidade, equilíbrio, adequação e autenticidade? Ela favorece nossa sensibilidade espiritual, psicológica e social, como também nosso crescimento intelectual?
3-    A música que cantamos, ouvimos ou compomos apela tanto ao intelecto como às emoções, afetando o corpo de forma positiva?
4-    A música que cantamos, ouvimos ou compomos revela criatividade e obtém melodia de qualidade? Está sendo usada de uma forma harmônica e artística, com um ritmo que a complemente?
5-    A música que cantamos, ouvimos ou compomos emprega versos que estimulam positivamente a capacidade intelectual como também nossas emoções e nosso poder da vontade? Os versos são criativos, ricos no conteúdo e bem compostos? Focalizam aspectos positivos e refletem os valores morais? Instruem e enaltecem e estão em harmonia com a sólida teologia bíblica?
6-    Os elementos musicais e literários operam juntos e em harmonia para influenciar o pensamento e o comportamento em concordância com os valores bíblicos?
7-    A música que cantamos, ouvimos e compomos mantém judicioso equilíbrio dos elementos espiritual, intelectual e emocional?

* Perguntas baseadas no documento oficial sobre música sacra da Associação Geral da IASD (2004).

“Rogo-vos, pois irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:1,2).

Despedimo-nos agradecendo sua atenção e desejando-lhe toda a sorte de bênçãos espirituais em Cristo Jesus.

Com estima,
Centro White

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